quinta-feira, 22 de abril de 2010

O que é a LIBERDADE?

Na EB1/JI de Sabugo e Vale de Lobos, o 25 de Abril foi vivido com muitas reflexões sobre o conceito de LIBERDADE em todas as turmas.
Deixamos aqui algumas imagens do produto final deste excelente trabalho.


sexta-feira, 16 de abril de 2010

Formiga, formiguinha...

Os meninos da Sala 2 do JI de Sabugo e Vale de Lobos receberam na sua sala umas visitas inesperadas. Pois é: as formigas resolveram aparecer durante as férias e agora os meninos estão curiosos sobre este animal tão pequenino. Resolveram investigar e vieram até à Biblioteca com a Educadora Lavínia. Aqui ficam alguns registos desta experiência sensacional.


Ficamos a aguardar que nos mostrem as suas conclusões.

domingo, 11 de abril de 2010

"E depois do Adeus" foi o início



Os meios de comunicação foram fundamentais naquela madrugada de Abril. A mobilização nacional dos militares, o secretismo e a coordenação das operações era fundamental para o sucesso da Revolução. Que melhor forma de comunicar que através da linguagem mais universal de todas: a música?
Assim, o rádio foi a forma de comunicação eleita pelos capitães, especialmente Otelo Saraiva de Carvalho que, a partir do Quartel da Pontinha, coordenou as operações.

O 1º sinal: a voz de João Paulo Dinis anunciou aos microfones dos Emissores Associados de Lisboa (Rádio Clube Português): “Faltam cinco minutos para as vinte e três horas. Convosco Paulo de Carvalho com o Eurofestival 74 “E depois do Adeus”. Era o início das operações militares a desencadear pelo MFA.

Uma gaivota voava, voava


Uma das canções mais ouvidas no pós 25 de Abril e que nunca é demais recordar.

Somos livres




Ontem apenas
Fomos a voz sufocada
de um povo a dizer não quero,
fomos os bobos do rei

mastigando o desespero.

Ontem apenas
fomos um povo a chorar
na sarjeta dos que à força
ultrajaram e venderam
esta terra hoje nossa,
esta terra hoje nossa.


Uma gaivota voava, voava,
asas de vento, coração de mar. ,
Uma gaivota voava, voava,
Asas de vento, coração de mar.

Como ela somos livres.
somos livres de voar.
Como ela somos livres

somos livres de voar.

Uma papoila crescia, crescia.
grito vermelho num campo qualquer.
Uma papoila crescia, crescia,
Grito vermelho num campo qualquer

Como ela somos livres,
somos livres de crescer.
Como ela somos livres,

somos livres de crescer.


Uma criança dizia, dizia,
Quando for grande não vou combater.
Uma criança dizia, dizia,
Quando for grande não vou combater.

Como ela somos livres,
somos livres de dizer.
Como ela somos livres,
somos livres de dizer.

Somos um povo que cerra fileiras,
Parte à conquista do pão e da paz.
Somos um povo que cerra fileiras,
Parte à conquista do pão e da paz.

Somos livres, somos livres,
não voltaremos a atrás.

Somos livres, somos livres,
não voltaremos a atrás.


(Ermelinda Duarte)

Zeca Afonso - Um cantor de Abril



José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos nasceu a 2 de Agosto de 1929, em Aveiro, filho de José Nepomuceno Afonso, juiz, e de Maria das Dores.
Frequentou o curso de Ciências Histórico-Filosóficas da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.
Fez parte do Orfeão da Faculdade e desde cedo compôs e cantou canções de intervenção sobre o Regime Político Português.
Deu explicações para fazer face às dificuldades económicas com que viveu; foi professor, mas acabou expulso do ensino por motivos de saúde (esteve internado na Casa de Saúde de Belas). Canções como «Venham Mais Cinco», «Menina dos Olhos Tristes», «A Morte Saiu à Rua» e «Gastão Era Perfeito» falavam da guerra, das torturas, da censura, da tristeza em que o povo vivia e são apenas algumas das muitas que escreveu.
Entre elas "Grândola, Vila Morena"proibida pela censura, foi escolhida para senha da Revolução, tendo passado na Rádio Renascença à meia-noite e vinte minutos.
José Afonso morreu no dia 23 de Fevereiro de 1987, no Hospital de Setúbal, vítima de esclerose lateral amiotrófica.

25 de Abril Sempre

sábado, 10 de abril de 2010

25 de Abril Sempre

36 anos depois a memória tem de ser mantida viva. Nada melhor que um bom livro para iniciar a conversa.
Aqui ficam algumas sugestões.


capa do livroTesouro
Texto: Manuel António Pina
Ilustrações: Evelina Oliveira
Editora: Campo das Letras


 
"Os corações exultaram de alegria e as janelas encheram-se de bandeiras e de cravos vermelhos: os soldados puseram cravos vermelhos nas espingardas e as mulheres esqueceram-se do jantar e das limpezas da casa e correram para a rua com os filhos ao colo e cravos vermelhos ao peito, chorando e rindo, comovidas e confusas; as pessoas que tinham sido expulsas e obrigadas a refugiar-se longe regressaram; as portas das cadeias abriram-se e os presos voltaram, a casa; os jovens vieram da guerra, felizes por estar de novo rodeados dos amigos e abraçar os pais e os irmãos; e os meninos e as meninas puderam pela primeira vez dar as mãos e falar e olhar-se, caminhando lado a lado sem medo de acusações nem de castigos."
"O Tesouro" foi publicado em 1.ª edição, em 1994, pela Associação 25 de Abril e pela APRIL, com o alto patrocínio do Presidente da República, Dr. Mário Soares.



Romance do 25 de Abril
Texto: João Pedro Mésseder
Ilustrações: Alex Gozblau
Editora: Caminho

E se um menino se chamasse Portugal?
Ou então: pode o Portugal do antes do 25 de Abril ser comparado a um menino?
Ora por que não?
Ouçam pois a sua história: como cresceu e sofreu e lutou até, já adulto, ver realizado um sonho.
E que sonho foi esse? O da liberdade, é claro. Mas imaginou também uma democracia e uma justiça que julgou possíveis no seu país à beira-mar.
Esse país onde hoje o mesmo menino, homem feito agora, continua atento a sonhar com um mundo melhor.

(Livro redigido em prosa rimada e versificada)

O 25 de Abril contado às crianças... e aos outros
Texto: José Jorge Letria
Ilustrações: João Abel Manta
Editora: Terramar


Trata-se de uma obra que surgiu nas comemorações dos vinte e cinco anos da Revolução dos Cravos e que apresenta uma forte componente visual da responsabilidade do artista plástico João Abel Manta (1888-1982).
Composta por oito capítulos – intitulados «I – Para que não esqueças Abril», «II – Era uma vez uma guerra», «III - As palavras proibidas», «IV – O Sol para além das grades», «V – Este parte aquele parte», «VI – “Lá vamos cantando e rindo”», «VII – O Poder e a forma como funcionava» e «VIII – Um dia que abalou a história» - e sendo dirigida, como sugere o título, quer a um destinatário infantil, quer a um outro público cujos conhecimentos acerca do 25 de Abril de 1974 são restritos, a esta história encontra-se subjacente, antes de tudo, um claro e, aliás, muito nobre objectivo formativo.
«Eu tenho a certeza que em casa ou na escola já te falaram do 25 de Abril, mas não sei o que te disseram sobre o seu significado e a sua importância para a vida de Portugal. É por isso que vou contar-te esta história. Uma história pessoal como todas as histórias, mas que envolve muito do que é a minha memória sobre esse dia e sobre tudo aquilo a que ele veio pôr fim.» José Jorge Letria




25 de Abril O Renascer da Esperança
Texto: Manuel de Sousa
Ilustrações: Ernesto Neves
Editora: SporPress

"O que Abril representa não pode ser reduzido a um acto de memória, a um ritual evocativo. Tem de ser memória do passado e afirmação do futuro. O que nesse dia aconteceu foi o início de um novo ciclo da vida nacional. Mudou a cultura política e o tempo histórico. Seguiram-se-lhes dias que abalaram o bosso mundo e deixaram marcas indeléveis em todos nós.
É preciso explicar aos nossos jovens o espírito do 25 de Abril. Para eles, que já nasceram em liberdade, não é fácil perceber o valor de tudo o que Abril nos legou.
Tem esta obra o mérito de narrar de forma acessível os antecedentes do 25 de Abril, de fazer reviver os tempos difíceis da Ditadura, de exprimir a revolta dos oprimidos e de salientar o acto generoso dos Capitães de Abril" Edite Estrela


A Fábula dos feijões cinzentos
Texto: José Vaz
Ilustrações: Elsa Navarro
Editora: Campo das Letras

"Metáfora da ditadura vivida pelos portugueses e da liberdade trazida pela revolução dos cravos. Três feijões tomaram conta do reino do “Jardim-à-Beira-Mar-Plantado”, roubando aos que ali viviam – feijões que se tornaram cinzentos – o sol, a água e o ar e calando-os com uma bola de futebol. Reprimiram o povo com a polícia e a censura e mandaram jovens para a guerra.
Os protestos de muitos feijões, como o Vermelho, o Canário, o Preto ou o Rajado, conseguiram dar um empurrão aos opressores (as raízes estavam já podres) e repartir o que, outrora, lhes tinha sido tirado. A partir desse dia de Liberdade, os feijões passaram a ter as cores antigas e no reino vegetal foi a Primavera".



A Liberdade o que é?
Texto: José Jorge Letria
Ilustrações: Catarina França
Editora: Ambar

"A Liberdade o que é?" é um livro para crianças. Dentro dele encontram-se mais de sessenta pequenos poemas que se soltam e que procuram dentro de nós demarcar a ideia de Liberdade. Uma compilação de textos poéticos muito breves subordinados a um mote comum – a definição da liberdade – o livro conduz o leitor numa viagem pelas diferentes formas – muitas vezes metafóricas – de olhar e experimentar a liberdade, aqui recriada como uma das maiores conquistas da Humanidade.
Mais ou menos referenciais e/ou históricos, como por exemplo o texto que alude à Revolução de Abril de 74, os pequenos textos que compõem a colectânea propõem olhares variados sobre a liberdade e sobre as formas como se apresenta, privilegiando a visão poética. As ilustrações de Catarina França, muito bonitas, subtis no uso da cor e na sugestão de movimento, retomam algumas das imagens do texto, fixando ideias-chave neles reproduzidas.


A Revolta das FrasesTexto: Maria Almira Soares
Ilustrações: Sandra Serra
Editora: Dom Quixote

Quantas vezes falamos e escrevemos sem pensar com que palavras, com que frases o estamos a fazer! Quantas vezes nem olhamos para essa coisa preciosa de que tanto nos servimos: as palavras! Será que elas pensam?! Será que elas sentem?! Será que elas ficam incomodadas quando são vítimas do nosso desleixo?! Cuidado! Que as palavras não são de ficar quietas... e um dia talvez ganhem voz própria, se revoltem e nos arrastem para uma aventura surpreendente.



A Revolução das Letras
Texto: Vergílio Alberto Vieira
Ilustrações: Fedra Santos
Editora: Campo das Letras

Quem primeiro deu o alerta no Quartel das Letras foi o Cabo Clarim que, farto de tocar a recolher, ou porque não, ou porque sim, anunciou de pronto a hora do motim.
Acenderam-se então os holofotes na parada, saíram as letras a correr da camarata e, quando o Comandante-General se levantou, estremunhado, e veio à janela a toda a pressa, à pressa pediu contas a cada sentinela.
"Mas que pouca vergonha é esta?", desaprovou, o boca aberta, a língua em tropel: "Que parece que a tropa virou festa no quartel!"
Não se enganava o Comandante, ao megafone, pois já por toda a parte se ouviam toques de caixa, gaitas e trombone. Se alguém o disse, assim o fez.
As letras queriam viver em liberdade (...)


O Rapaz da Bicicleta Azul
Texto: Álvaro de Magalhães
Ilustrações: António Modesto
Editora: Campo das Letras

O João subiu para a bicicleta, que rangeu aflitivamente. Às primeiras pedaladas, ela respondeu com alguns estalidos, como os dos ossos de um velho que se levanta de uma cadeira, mas pouco depois já rolava pela estrada abaixo. Ele pedalou com mais força e atravessou o ar morno da manhã. Sentia não sabia o quê que o empurrava para diante. Cheirava-lhe não sabia a quê, sabia-lhe não sabia a quê. E esse “não sei quê” era a liberdade. Estava dentro dele e à volta dele, por todo o lado. Também ele era um rapaz numa bicicleta azul e também ele levava a flor da liberdade numa manhã de Abril. Com ela, podia ir até onde quisesse. Por isso, pedalou ainda com mais força e avançou a sorrir na direcção do sol.


História de uma flor
Texto: Matilde Rosa Araújo
Ilustrações: João de Fazenda
Editora: Caminho

Matilde Rosa Araújo cria um poema sobre a Revolução dos Cravos sem nunca a nomear explicitamente. Centra-se antes na vida de uma flor vermelha e num dia em que “o Sol apareceu de madrugada”. “E veio de madrugada misturado com música tão mansa que as sombras se haviam esquecido de tapar a flor.” Virá a ser colhida por uma criança para a oferecer à mãe. E esta irá levá-la pela mão para ver “os milhões de irmãos” da flor que recebera. “Nas ruas havia flores vermelhas por toda a parte. No peito das mulheres, dos homens, nos olhos das crianças, nos canos silenciosos das espingardas. Não era uma guerra nem uma festa. Era o mundo de coração aberto.” Ilustrado com o talento de João de Fazenda, História de Uma Flor é um belo livro — sobre uma bela história.